Natália

Vale a Pena Ler de Novo é um meme literário hospedado pelo Ancalimë Family para resenhar antigos livros (leia-se: a primeira publicação foi há, pelo menos, 10 anos), tidos como clássicos ou não, que lemos recentemente e gostaríamos de compartilhar com os leitores.




Título: Frankestein ou O Moderno Prometeu
Autor(a): Mary Shelley
País de Origem: escrito durante uma viagem da autora à Suiça
Título Original: Frankenstein or The Modern Prometheus
Publicado originalmente em: 1818


O Dr. Frankestein e sua horrenda criatura foram criados a partir de uma brincadeira. Lord Byron, com quem o casal Percy e Mary Shelley passavam boa parte do tempo em suas férias na Suíça, propôs que cada um escrevesse um conto de terror para passar o tempo. Influenciada pelas conversas de Percy e Byron sobre as teorias científicas recorrentes na época, em que chegaram a discutir as possibilidades de se 'criar' vida a partir de matéria morta, Mary teve a inspiração para criar um dos maiores clássicos da literatura gótica. O que era para ser apenas um conto de poucas páginas foi transformado em um romance, graças ao incentivo do marido e do amigo.

Antes de falar da história em si, gostaria de esclarecer o título alternativo "O Moderno Prometeu". Para quem não sabe, Prometeu, segundo a mitologia greco-romana, foi o responsável por criar os seres humanos e, para torná-los capazes de desenvolver uma civilização, roubou o fogo dos deuses para dar-lhes. Por vingança, Zeus o acorrentou ao monte Cáucaso, onde uma águia comeria seu fígado imortal. A relação entre Prometeu e Frankestein será discutida ao fim da resenha.
A história narra a vida de Victor Frankestein: seus pais e irmãos, seus amigos, e Elizabeth, uma garota que foi acolhida pela família e com quem sua mãe sempre quisera vê-lo casado. Antes de se unir em matrimônio, porém, o rapaz vai para Alemanha, onde estuda Ciências Naturais e, posteriormente, Fisiologia. É durante seus estudos e pesquisas que ele descobre como animar a matéria sem vida.
A partir de partes de cadáveres, Victor construiu e deu vida a um ser abominável. Quando vê o que acabara de criar, ele foge com medo e, quando volta para seu apartamento, não encontra mais a criatura. Durante algum tempo, acredita que nunca mais ouvirá falar de sua criação, até receber uma carta de seu pai relatando a morte de seu irmão mais novo. A partir daí, muitas outras desgraças ocorrem aos parentes e amigos da família Frankestein, vítimas da fúria daquele bizarro ser.
Em certo ponto, criador e criatura se encontram frente a frente, e o monstro tem a oportunidade de contar sua própria história, de falar sobre o repúdio e a rejeição que encontrou em todos os lugares onde esteve. Pede, então, que lhe seja feita uma companheira, alguém semelhante a ele, que possa entendê-lo e ficar em sua presença sem sentir medo. Em troca, ele desapareceria da vista de Victor e todos que ele conhece.
Com uma narrativa simples e personagens comuns, a autora criou uma história de terror que ainda hoje sobrevive no imaginário humano. O monstro de Frankestein abriu caminho para que tantas outras criaturas surgissem na mundo literário e cinematográfico.
Assim como Prometeu, Victor foi castigado por tentar criar um ser semelhante ao homem, levando-nos a questionar quais as consequências de tentar se igualar à própria mãe-natureza.
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