Natália
Na última quinta-feira, dia 7 de abril, o Rio de Janeiro foi palco de umas das piores atrocidades ocorridas em solo nacional. Não preciso entrar em detalhes aqui, pois a notícia virou destaque de revistas, jornais impressos, eletrônicos e televisivos.
Infelizmente, o foco dos jornalistas em praticamente todas as reportagens é sobre a pessoa que provocou o massacre. Aliás, recuso-me a usar o termo tragédia. Trágico, para mim, é o que acontece no Japão, que ainda tem sofrido com terríveis terremotos, não bastasse toda a destruição causada pelo tsunami. Trágicos são os acidentes que acontecem diariamente em estradas e rodovias. Trágicas são as enchentes que matam pessoas e destroem casas. Trágicos são os acontecimentos que ninguém previu e muito menos pôde fazer algo para evitar.
O terror pelo qual passaram crianças, professores e funcionários há uma semana não foi acidente, não foi trágico. Foi uma ação premeditada, racionalizada e executada por uma pessoa que tinha como único desejo causar dor e desespero.
Mas, como dito anteriormente, esse foco em quem causou tanto mal a tantas pessoas é, para mim, motivo de tristeza. Não é o nome de quem tirou vidas que deveria estar na boca de todo mundo. Quem deveria estar estampando capas de revistas e ilustrando a primeira página dos principais jornais era o policial que, ao invés de chamar reforços e esperar por agentes especializados em situações de crise, arriscou a própria vida e entrou na escola decidido a parar o atirador, antes que mais crianças fossem mortas. Quem deveria ser comentário geral eram os professores e funcionários que levaram tantos alunos quanto puderam para um salão superior e bloquearam a entrada com mesas e cadeiras. Quem deveria ter seu nome citado como exemplo era a professora que, ao abrir a porta da sala de aula depois de ouvir os tiros e ver o corpo de uma aluna morta no corredor, fez com que todas as crianças se encolhessem embaixo da janela e impediu a entrada do assassino.
As pessoas, no entanto, preocupam-se em procurar respostas. Não existe uma resposta, porque não existe um porquê. Ele pode ter deixado cartas e vídeos explicando o que fez, mas a verdade é que não há motivos que expliquem esta atitude. Algumas pessoas culpam as crianças que cometeram bullying contra o rapaz, durante a infância/adolescência, já que ele diz querer vingança contra os covardes que o humilharam. Tudo o que conseguiu foi descontar sua raiva e frustração em quem não merecia, de maneira muito mais covarde, tornando-se pior do que qualquer um que ele pudesse odiar. Outros erguem a voz para censurar os professores, que aparentemente nada fizeram para amenizar as injustiças cometidas contra o garoto. Devo lembrá-los, porém, que apenas o bullying não é uma justificativa plausível, uma vez que o ódio dele era praticamente restrito a meninas (10 das 11 crianças que saíram da escola mortas eram garotas), o que nos leva a considerar disfunções sexuais ou problemas em relacionamentos românticos.
De qualquer modo, isso não importa. A forma como ele planejou e executou os assassinatos, com tamanha calma, paciência e frieza, revelam uma mente com fortes distúrbios psicológicos, provavelmente psicóticos. Os fatores externos nada fizeram além de levar uma mente perturbada ao seu ápice.

Tudo o que nos resta é chorar as vidas dessas crianças, interrompidas de maneira tão brutal e injusta, e oferecer nossos sentimentos às família delas, torcendo para que encontrem força em meio a tanta dor.

E lembre-se de ter fé. Não importa em quê. Mas tenha fé.
1 Response
  1. Miriam. Says:

    Uai, eu li sim sobre os professores e o policial, mas de fato o foco está todo no assassino. Acho que não adianta ficar estudando tanto assim os motivos e tudo mais, o mal já foi feito. Agora poderiam pelo menos dar atenção aos heróis deste massacre (aliás, muito boa a diferenciação entre tragédia e massacre!).


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