Natália

Essa resenha faz parte do Desafio Literário #3. Para acompanhar o meu progresso em todos os Desafios de 2011, clique aqui.

Essa resenha faz parte, também, do Vale a Pena Ler de Novo, meme literário hospedado pelo Ancalimë Family para resenhar antigos livros (leia-se: a primeira publicação foi há, pelo menos, 10 anos), tidos como clássicos ou não, que lemos recentemente e gostaríamos de compartilhar com os leitores.

Título: Emma
Autor(a): Jane Austen
País de Origem: Inglaterra
Título Original: Emma
Publicado originalmente em: 1815



A História
Emma Woodhouse é uma bela jovem que, com quase 21 anos, não está preocupada em se casar. Nascida em uma família rica, vive confortavelmente com seu pai na elegante mansão Hartfield. Tendo sua mãe morrido quando ela era ainda muito jovem e sua irmã mais velha, Isabella, se casado, a moça exercia a função de dona da casa, e não pretendia mudar essa situação, pois jamais se permitiria abandonar o velho Mr. Woodhouse.
A história se inicia com uma mudança na vida de Miss Woodhouse: Miss Taylor, a governanta que a criara, e que agora era sua amiga mais íntima, acaba de se casar! A jovem não teria mais a companhia dela o dia todo, todos os dias, embora continuassem a se ver com frequência, já que Mrs Weston - ex Miss Taylor - mudara para Randalls, a mansão vizinha (lembrando que, devido as extensões das propriedades da época, ser vizinho significava que era preciso uma leve caminhada para ir de uma casa à outra).
Mesmo sabendo que sofreria com a ausência de sua querida confidente, ela nunca fora contra o casamento. Pelo contrário! Há muito tempo ela havia imaginado a união dos dois e alegrara-se perante tal perspectiva. Ao contrário de seu pai, que se opunha a qualquer mudança na rotina (e imaginem quantas mudanças um casamento não causa!), Emma decidiu que tinha vocação para cupido e formaria novos casais.
E quando conheceu Harriet Smith, uma órfã que vivia no internato de Mrs. Goddard, amiga de Mr. Woodhouse, a oportunidade de arranjar outro casamento surgiu. A moça não podia ser considerada inteligente, mas era bastante agradável e bonita o suficiente para chamar a atenção de algum cavalheiro do círculo de amizades de Emma. E chances de apresentar sua nova amiga não faltavam.
Hartfield constantemente tinha convidados para o jantar ou para o chá, já que Mr. Woodhouse valorizava muito suas amizades e dificilmente podia ser persuadido a deixar seu próprio lar. Sofria dos nervos e tinha fobia de doenças. Um dos melhores amigos dele era Mr. Knightley, irmão mais velho de John Knightley, marido de Isabella. Enquanto o cunhado de Emma costumava ser muito frio e antissocial, o outro era sempre elegante e divertido, e mesmo quando a contrariava ou reprovava, era indiscutivelmente um cavalheiro, a quem Miss Woodhouse apreciava muito.
Os Westons, é claro,  também visitavam a mansão quase diariamente, assim como Mr. Elton, um cavalheiro solteiro e muito gentil. E foi este último que Emma se convenceu de que seria o noivo perfeito para Harriet. Embora muito superior a ela em condições, elegância e cultura, a moça acreditava que bastava um incentivo para que ele se apaixonasse por Miss Smith.
Mas nem mesmo Emma Woodhouse podia controlar os sentimentos dos outros, muito menos os seus próprios. Uma proposta de casamento para Harriet, outra para ela mesma, o retorno de Jane Fairfax e a chegada de um elegante e distinto cavalheiro mudam os rumos da história.

Comentários
Emma Woodhouse é uma protagonista completamente diferente do que estamos acostumados a ver nos romances de Jane Austen. Sua família não é grande, sua situação financeira é ótima e ela decidiu nunca se casar. No início eu pensava que o fato de ela não precisar de um homem para sustentá-la a fizesse querer provar que ela podia viver sozinha. Mas durante a leitura fica claro que essa resolução se devia ao profundo amor que ela tinha pelo pai e que a levava a não querer abandoná-lo, principalmente por medo do que isso poderia causar aos nervos já frágeis dele.
Mesmo tendo uma opinião talvez muito elevada de si mesma, Emma não é arrogante e, principalmente, não trata os outros com desdém. Em determinada passagem do livro, ela vai até a casa de uma família muito pobre, ajudá-los com dinheiro e conselhos. A autora não se fixou na visita em si, apenas a usou como pretexto para um fato que ocorre enquanto a personagem volta para casa. Isso mostra claramente que essas atitudes de altruísmo não foram colocadas para tornar Emma uma moça boazinha, e sim por Austen considerar a atitude com banalidade, nada mais que uma obrigação.
Miss Woodhouse se preocupa com os sentimentos dos outros e faz de tudo para ser agradável ou para compensar algum erro que possa ter causado, o que não a deixa ser caracterizada como "anti-heroína". Mas ela acha algumas pessoas enfadonhas, e até mesmo faz suposições maldosas em relação a outras, o que a torna humana.
É um romance leve, divertido, com personagens críveis a absolutamente adoráveis. Uma história cativante do início ao fim. E que fim! *suspiros*
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