Natália

Vale a Pena Ler de Novo é um meme literário hospedado pelo Ancalimë Family para resenhar antigos livros (leia-se: a primeira publicação foi há, pelo menos, 10 anos), tidos como clássicos ou não, que lemos recentemente e gostaríamos de compartilhar com os leitores.





Título: O Retrato de Dorian Gray
Autor(a): Oscar Wild
País de Origem: Inglaterra
Título Original: The Picture of Dorian Gray
Publicado originalmente em: 1891

Acredito que todos conheçam a história de Dorian Gray: o jovem e belo rapaz que, ao ver uma pintura sua, encanta-se com suas próprias feições ao mesmo tempo em que lamenta o estrago que o tempo certamente fará. Ele, então, desenvolve uma bizarra ligação com o quadro, que se torna aos poucos desfigurado, refletindo a alma corrompida de Gray, enquanto sua aparência física permanece intacta.
Mais de um século depois, muitas ainda são as discussões acerca do livro de Oscar Wild. Comparações entre Dorian e Fausto, personagem de Goethe, e Narciso, da mitologia clássica. Incansáveis estudos sobre a importância dada à arte na obra, reflexões sobre o decadentismo, o estilo gótico, entre tantos outros. Chega a ser irônico o fato de Wild ser tão falado atualmente, quando na época de sua escrita era considerado extremamente imoral.
Mas, discussões éticas e teóricas à parte, vamos falar do livro em si. Acompanhar a decadência do espírito da personagem em contraste com sua sempre bela aparência é formidável. As mudanças ocorridas na consciência de Gray ao longo do romance são extremas e culminam em um final perturbador. Leva-nos a questionar por quanto tempo uma pessoa pode viver de aparências, usando uma máscara de moralidade rígida sobre um gênio inescrupuloso.
Contudo, não foi apenas a trajetória do protagonista que me cativou. Pelo contrário! As personagens secundárias nos expõe suas próprias convicções, sempre contrárias entre si, argumentando arduamente na tentativa de convencer não apenas seu interlocutor, mas também o leitor, de seus pontos de vista.
Lorde Henry Wotton, por exemplo, critica abertamente todos os valores defendidos pela sociedade da época, reclama das mulheres e da instituição do casamento, bem como da hipocrisia das questões morais e éticas.
Já Basil Hallward, o pintor que retrata Dorian Gray, discursa sempre sobre a arte, minhas partes favoritas do romance. Ele se refere, é claro, à pintura, mas eu consigo transferir seus sentimentos pelos quadros para os livros, e concordo inteiramente com ele.
Um livro recomendadíssimo, embora tenha uma linguagem um tanto quanto rebuscada demais, que pode não agradar aos leitores mais preguiçosos, e a profundidade das reflexões que nos provoca pode tornar a leitura mais lenta. Eu, pelo menos, parava para pensar em algumas passagens do livro quase o tempo todo, voltando para lê-las constantemente.

Deixo aqui algumas passagens que me marcaram:
"O artista é criador de coisas belas. Revelar a arte e encobrir o artista é a razão de ser da arte. Os que só vêem intenções vis nas coisas belas são depravados destituídos de encanto. É um defeito. Os que admitem intenções belas nas coisas belas são espíritos cultos. Para estes há esperança. São os eleitos, para quem o bela significa Beleza." (prefácio)
"Mas de certo modo estranho (será que você me entende?) a personalidade desse moço sugeriu-me uma maneira artística inteiramente original, uma nova modalidade de estilo. Vejo as coisas de outra maneira. Posso agora criar de novo a vida, sob um aspecto que, antes, me ficava oculto." (Basil)
"Pressenti que me encontrava face a face com alguém cuja simples personalidade era tão fascinante, que, se eu me deixasse atrair, poderia absorver-me a alma e até a arte." (Basil)
4 Responses
  1. DeFatto! Says:

    Perdoa eu eu assumir que só o primeiro parágrafo? Eu comprei e to só esperando chegar *-* Tô até meio triste de não ter chegado ainda, mesmo o prazo sendo até dia 26 ;s

    Depois que eu ler, eu volto aqui e leio sua resenha,ok? To louca pra ler o livro .-.

    Beijos,
    Zoe, Três Lápis


  2. Lu Says:

    Nossa, achei bem legal a história. Adoro livros mais antigos. São sempre os melhores.

    Adorei esse meme, bem legal!

    Beijos. Luiza, Express Coffee


  3. Miriam. Says:

    Primeiro: AMEI seu template. Muito lindo.


    Segundo, sobre o livro msm: sempre quis ler esse livro., desde quando eu vi "A Liga Extraordinária", com Sean Conery. Tenho que tirar um tempo, comprá-lo e me dedicar à leitura dele, justamente por este alto nível de reflexões e linguagem rebuscada.

    Beijos!
    http://bookerqueen.blogspot.com/


  4. N. Ancalimë Says:

    Tudo bem, Zoe, eu também não gosto de ler resenhas dos livros que estou prestes a ler. Espero que goste do livro :)

    Livros antigos são minha paixão, Lu, e essa foi a maneira que encontrei de homenageá-los.

    Obrigada, Miriam! Acredita que eu fiquei curiosa sobre a história de Dorian Gray quando assisti a esse filme, também?!Haha.
    Realmente, a leitura requer um tempinho a mais pra dar conta de tantas reflexões, mas vale a pena!

    Beijinhos


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