Natália

Vale a Pena Ler de Novo é um meme literário hospedado pelo Ancalimë Family para resenhar antigos livros (leia-se: a primeira publicação foi há, pelo menos, 10 anos), tidos como clássicos ou não, que lemos recentemente e gostaríamos de compartilhar com os leitores.




Título: O Morro dos Ventos Uivantes
Autor(a): Emily Brontë
País de Origem: Inglaterra
Título Original: Wuthering Heights
Publicado originalmente em: 1847

Tido hoje como um dos mais importantes romances da Literatura Inglesa, O Morro dos Ventos Uivantes, escrito por Emily Brontë sob o pseudônimo de "Ellis Bell", narra uma história de amor e ódio, inocência perdida e inocência arrancada à força, busca por vingança. O romance tem um gosto amargo de ressentimento, deixa a mente do leitor perturbada até muito depois do fim do livro.
A história é narrada pela empregada, Helena Dean (também chamada de Nelly), quando o novo inquilino da Granja Thrushcross, Sr. Lockwood, lhe pergunta sobre o passado dos moradores do Morro dos Ventos Uivantes.
Ela conta que Heathcliff, atual locatário do Sr. Lockwood, foi adotado pelo Sr. Earnshaw quando tinha sete anos, contra a vontade da esposa e do filho, Hindley, que o maltratam de todas as formas possíveis. No entanto, Catarina, sua filha, fica encantada com o menino e os dois se tornam inseparáveis. 
Anos mais tarde, depois da morte do Sr. e da Sra. Earnshaw, Hindley se torna dono do lugar e trata Heathcliff como um empregado. Ele só permanece na casa por Cathy. Mesmo apaixonada, no entanto, ela decide se casar com Edgar Linton, rapaz rico e bem educado que morava na Granja Thrushcross. Com isso, Heathcliff desaparece durante três anos e, quando volta, inicia uma vingança que ultrapassa gerações: não contente em castigar Edgar e Hindley, ele também encontra formas para torturar Catarina, filha de Cathy com Edgar, Hareton, filho de Hindley, e até seu próprio filho, Linton.

Heathcliff é o personagem mais denso já escrito. Toda a sua personalidade vil e cruel é resultado de anos de maus tratos, desprezo e rejeição. Ele viu o amor de sua vida, que afirmava o amar da mesma forma, se casar com outro pensando apenas em luxo e conforto.
Cathy podia dizer o que quisesse, argumentar com tudo o que lhe fizesse dormir melhor a noite, mas a verdade é que ela era, desde sempre, egoísta e mimada, e não pensava duas vezes antes de agir em benefício próprio. A culpa de sua morte prematura não pode ser atribuída a ninguém além dela mesma, como Heathcliff afirma:
"Não posso dirigir-te uma só palavra de consolo. Mereceste tua sorte. Tu mesma te mataste. Sim, podes beijar-me e chorar, arrancar-me beijos e prantos: ele te queimarão... eles te danarão. Tu me amavas... que direito tinha então de me deixar? Que direito... por causa do miserável capricho que sentiste por Linton? E quando nem a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem nada que Deus ou satanás pudesse infligir-nos poderia separar-nos, tu, por tua própria vontade, o fizeste. Eu não parti teu coração... foste tu que o quebraste e, quebrando-o, quebraste também o meu."
(BRONTË, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes. Editora Martin Claret, 2º edição. São Paulo, 2009, páginas 192-193)


2 Responses
  1. Ptah Says:

    Sem dúvidas é um dos meus livros favoritos! Sempre vale a pena ler de novo ;)

    Btw, meu namorido, designer e publicitario, me pediu para te dizer que o blog tem o melhor visual que ele viu em todos os que frequento. Eu particularmente também adoro!

    Bjus

    Ptah
    www.livrosebichos.blogspot.com
    @livrosebichos

    ps: tem sorteio lá no blog


  2. N. Ancalimë Says:

    Uau, muito obrigada a você e ao seu namorido, Ptah! Fiquei lisongeada agora!

    Beijos!


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